Tuesday, April 25, 2006

Imperfeito Soneto Para Uma Mulher Perfeita

Certa vez ouvi falar sobre a divina proporção
Que rege toda a infinita beleza da criação
A fração 1,618 é a base dessa complexa teoria
Que, para muitos, foi motivo de grande simpatia

Certa vez avistei uma garota que me causou grande emoção
De imediato fui vítima de uma enorme empolgação
Senti-me impelido a estar em sua terna companhia
A partir de então lutei por aquela que me aprazia

A linda mulher se tornou o amor da minha vida
Tornei-me inebriado de paixões e sentimentos abstersos
Pude, então, dar início a minha jubilosa sobrevida

Indigna de tamanha beleza é essa minha simples cometida
A almejada divina proporção não existe nestes versos
Porém abunda na mais bela das musas: a minha prometida

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 06:17:03 | Permalink | Comments (2)

Monday, April 24, 2006

Subversão

Não adaptado a elementos nocivos
Que divagam incólumes a outrem
Sigo manifestando o meu desdém
Contra aqueles que me são lesivos

Lanço em ti meus atos explosivos
Não serei mais um infeliz refém
Fartei-me de teu bronco nhenhenhém
Redijo versos protestativos

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 09:11:39 | Permalink | Comments (4)

Sunday, April 23, 2006

Alma Pesada

Ontem eu não sabia ao certo quem eu era
Doravante, tornei-me figura austera
Infante até o porém, surgiu a besta-fera
Ora essa, a conseqüência foi tão sincera

Rompi meus parcos eixos no desespero
Anarquia gerada em meio ao entrevero
Incutiu-me a dor e deu vida ao exaspero
Violência arraigada no exagero
Abase coaxial deste meu esmero

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 12:15:20 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, April 19, 2006

A Tal da Sensibilidade

Onze e meia da manhã em um quarto numa pequena casa do subúrbio. Um casal como outro qualquer que acabara de acordar.
― Porra, Augusto. Você é grosso pra caralho!
― Ué, por quê?
― Isso é jeito de falar com a sua mulher: “amor, vamos dar uma trepada”?
― Há dez anos eu falo assim contigo e você nunca reclamou. Por que toda essa indignação agora?
― Porque eu cansei desse seu jeito grosseiro. Vem para cima de mim fedendo álcool e me tratando como se eu fosse uma vadia barata qualquer.
― Vadia barata, não. Eu disse “amor” antes de lhe fazer o convite. Além do mais, você não é nenhuma virgem abstêmia.
Clarice se pôs a chorar.
― Querida, por que você está chorando? Tudo isso porque eu lhe convidei para uma fodinha?
― Olha, se eu soubesse que você iria se tornar um ogro insensível, eu nunca teria levado essa relação adiante.
― Você me conheceu em um show do Discharge. Você deveria saber que eu não seria nenhum cavalheiro galanteador.
― Eu não estou pedindo para você se tornar um Werther ou um Harry Haller, peço apenas para que você seja mais romântico, mais sensível. Demonstrar um pouquinho de carinho pela mulher que você diz amar não seria nada constrangedor.
― Você sabe muito bem que eu te amo, só que o nosso amor não é hollywoodiano, é Almodóvar. Não é Romeu e Julieta, é Sid e Nancy. Não é Afrodite e Eros, é Dioniso e sátiros. Não é pênis e vagina, é caralho e xoxota.
― Acontece que eu não quero mais ser tratada como uma prostituta. Quantas vezes você me trouxe flores? Nenhuma! Qual foi a última vez que você me trouxe um presente? Eu nem sequer me lembro. Qual foi a última vez que saímos para jantar juntos? A última vez foi no aniversário do meu pai há uns seis anos e você nem sequer tocou na sua carteira. Depois disso foram apenas lanches gordurosos em lanchonetes imundas.
Clarice levantou-se da cama, trocou de roupas e disse:
― Quer saber? Vou sair.
― Aonde você vai?
― Vou sair para comer algo decente com as minhas amigas. Pelo menos eu sei que delas eu posso esperar um tratamento mais respeitoso. Ligue para o Artur e saia para encher a cara com ele mais uma vez. É só isso o que você sabe fazer mesmo.
Ela saiu furiosa. Augusto ouviu o bater da porta. Pegou o telefone e ligou para o seu amigo.
― Oi.
― Artur?
― Fala, Gutão!
― Cara, a Clarice tá puta comigo.
― Por quê?
― Ela disse que eu sou insensível.
― Nossa, quanta perspicácia! Eu sempre achei que a Clarice uma mulher muito inteligente, mas nesse caso ela demorou um pouco a entender as coisas.
― Vá se foder! O problema é que ela saiu realmente brava comigo daqui. E o pior é que, só agora, eu me lembrei que hoje faz dez anos que estamos juntos.
― Cara, que saudades daquele show do Discharge. Aqueles, sim, eram bons tempos.
― Isso é verdade. Não trabalhávamos, não fazíamos merda nenhuma a não ser beber, tocar, editar uns fanzines e badernar pelas ruas.
― Bom, tirando os fanzines e os ensaios, pouca coisa mudou.
― Isso é. Mas não vamos desviar do assunto. Eu estou com problemas. Cara, o que é que eu faço?
― Comece me contando direito qual é o problema.
― Ela disse que eu preciso ser mais carinhoso, mais sensível.
― Que merda! Por que você não diz para ela ir procurar um babaca em um show do Belle and Sebastian?
― Porque eu a amo e não desejaria mal nenhum a ela.
Artur riu e disse:
― Cara, então dê uma boa trepada com ela que tudo se resolve.
― A maldita discussão começou quando eu a convidei para isso.
― Então você não deve estar fazendo o serviço direito, meu caro.
― Não é isso. É que ela disse que eu sou muito grosso.
― Porra! Então passe um lubrificante. Você deve estar machucando a pobrezinha.
― Não é isso, seu idiota. Ela disse que eu sou grosso no sentido de estúpido, entendeu?
― Ah, tá. Então comece a ler uns livros do Shakespeare, ouça bastante Legião Urbana e assista todos os episódios de O. C. - Um Estranho no Paraíso. Isso é um curso intensivo de sensibilidade. Vai dar certo.
― Mas isso só funciona a longo prazo. Eu preciso arrumar um jeito de acalmar os ânimos de imediato.
― Cara, mulher nenhuma resiste a um presente.
― Eu cheguei a pensar nisso, mas eu não faço nem idéia do que comprar.
― Mulheres gostam de roupas, perfumes, jóias… Essas coisas.
― Eu não tenho dinheiro para comprar jóias e não tenho competência para comprar um perfume ou uma roupa que possa realmente agradá-la. Eu corro o risco de só piorar o que já está fodido.
― Então use um pouco de bom senso. Dê uma volta em algumas lojas e compre algo que você acha que possa realmente deixá-la contente.
Augusto terminou a conversa. Pôs uma roupa e foi ao centro da cidade procurar algo que pudesse melhorar sua situação com Clarice, demonstrando carinho e a tal da sensibilidade. Após entrar em algumas lojas, comprou o bendito presente e foi para casa. Ao chegar, Clarice estava deitada no sofá lendo um livro de poesias de Pablo Neruda.
― Minha querida, eu pensei bem em tudo o que você disse e resolvi mudar. Você realmente merece um tratamento mais digno, merece mais atenção. Para demonstrar isso, trouxe-lhe um pequeno presente. E não pense que eu me esqueci do nosso aniversário de dez anos de namoro. Tome aqui.
Augusto lhe entregou uma caixa retangular. Clarice abriu.
― Augusto!
― Gostou, amor? É uma autêntica José Cuervo! Vamos tomar umas doses e ir para a cama?

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 10:41:17 | Permalink | Comments (3)

Os Hostis de Hollywood

― Puta merda, Marcel, esse boteco está uma verdadeira merda hoje, não?
― É, eu já fui a lugares mais animados do que este. E não foram raras as vezes em que isso ocorreu.
― Que tal jogarmos uma sinuquinha?
Marcel disse olhando para a mesa de bilhar:
― Ah, Pedrão, aquela mesa é pior do que a minha escrivaninha velha e fodida.
― É, tenho que concordar. E também, pela quantidade de cervejas e vodcas que tomamos até agora, mesmo que essa mesa fosse a melhor do mundo, acho que demoraríamos a madrugada toda para terminarmos a partida.
O bar estava vazio. Fugazi tocando no aparelho de som velho e sem muita potência. Havia apenas cinco pessoas no recinto: João, o dono do bar; duas mulheres cinqüentonas extremamente embriagadas falando asneiras em alto tom em um canto, daquelas que ninguém sabe de onde surgiram, que só aparecem no fim da noite e que parecem estar sempre à caça de lugares decadentes; Marcel e Pedro.
João, percebendo o desânimo em seu estabelecimento, liga a tevê para tentar – desesperadamente, diga-se – levantar o astral do ambiente. Está passando um clássico das madrugadas televisivas: Um Sonho de Liberdade.
― Cara – disse Pedro – esse filme é bom pra cacete!
Ao que Marcel comenta:
― O filme realmente é bom, mas o Morgan Freeman é o rei! Ele é o cara mais legal do mundo! Conversar com ele deve ser demais.
― Cara, o que é que você está falando?
― Meu, olha só a cara dele. Ele é o cara mais sério do mundo!
― Mentira! O cara mais sério do mundo é o Clint Eastwood.
― Sim, mas ele é antipático. O Morgan Freeman é calado, mas é uma puta cara bacana. Quando ele sorri dá vontade de passar horas conversando com o cara. Imagina você tomando altas cervejas com ele. Depois de tomar várias, ele deve sorrir com mais freqüência e mostrar todo o seu potencial.
João, aumenta o volume da tevê.
― Mas em uma briga – disse Pedro – eu preferiria mil vezes ter o Clint do lado. Mesmo velhão, eu aposto que ele seria de grande utilidade nessas horas. Só com o seu olhar fulminante ele conseguiria fazer um cara mijar nas calças.
― Bem, isso é. Mas pra conversar ele deve ser um pé no saco. Aliás, seria muita sorte se ele abrisse a boca ao menos uma vez. Já o Morgan, quando abrisse a boca, seria para dizer algo grandioso, que você levaria para o resto da vida.
― O Clint prefere agir ao invés de teorizar. Ele é o homem-que-nunca-sorri, meu amigo. Ele prefere se comunicar através de olhares hostis.
― Ah, o cacete! O cara só faz tipo. Eu aposto que ele é daqueles caras que assiste Chaves e se mija de rir.
― Mas isso é óbvio! Todo mundo se mija de rir assistindo Chaves, mesmo sabendo de cor tudo o que acontece em cada episódio.
Umas das senhoras acabadas gritou ao fundo, levantando um dos braços e quase caindo da cadeira:
― Clint e Morgan o cacete! Foda mesmo era o Charles Bronson. Aposto que ele daria um cacete fenomenal nesses dois coroas.
― Sem contar o bigodinho dele, que era um tesão – disse a outra velha ébria.
João comentou baixinho com os rapazes:
― Fodeu! Vocês despertaram os dois dragões adormecidos. Sejam fortes e vocês sobreviverão.
― Puta merda. Era só o que me faltava ter que agüentar duas mocréias bêbadas – disse Marcel.
Pedro, olhou para as duas senhoras por cima do ombro, balançou a cabeça em sinal de indignação, tomou o resto de vodca em seu copo e disse:
― O mundo está realmente perdido. Não temos mais paz nem em nosso botequim preferido. Jão, desliga essa porra de tevê antes que novos comentários surjam por parte daquelas damas, encha o meu copo com mais vodca e traga outra Brahma.
Uma das donzelas levantou e se dirigiu ao balcão onde estavam os dois rapazes.
― Meu querido, seja cortês e me dê um gole dessa sua bebida. E, garçom, você não tem nenhum CD do Raulzito aí? Essa gritaria tá enchendo o saco.
Pedro, lançou um olhar nada amistoso à mulher e disse:
― Por que você não volta pra maldita sociedade alternativa de onde você nunca deveria ter saído e me deixa tomar minha bebida sossegado?
Consternada, a senhora retrucou:
― Olha aqui, seu bostinha, eu tenho idade para ser a sua mãe!
― Pois é, só que a minha mãe deve estar na casa dela neste momento fingindo que eu não existo. Por que a senhorita não faz o mesmo?
A outra mulher, que estava sentada lá no canto, levantou-se, dirigiu-se ao balcão, agarrou Marcel por trás, tascou-lhe uma úmida lambida em sua orelha cheia de cera e disse:
― Querido, que tal se nós pegássemos algumas cervas e uma garrafa de vodca e fossemos para a minha casa nos divertir?
Marcel, aceitando o picante convite, levantou-se e foi com a mulher.
Pedro, agora sem o seu amigo, dirigiu-se a outra senhora:
― Dona, sente-se aí que eu lhe pago uma dose.
Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 10:35:14 | Permalink | No Comments »

Monday, April 17, 2006

Outro Porre

Acordei. Tossi. Muito! Meu cérebro se tornara uma geléia estragada. Minha cabeça doía. Fui ao banheiro. Meu corpo começou a se vingar de mim pelos exageros cometidos na noite passada. Expeli diversas substâncias e gases. Vomitei, peidei cuspi, mijei e fiz cocô. “Fazer cocô”. Sempre achei essa expressão horrível. “Cagar” é bem menos feio. Fui me lavar. A água que escorria pelo meu corpo parecia me livrar de todas as impurezas e excessos. O maldito telefone tocou. Saí nu e molhando a casa toda. Acendi um cigarro. Atendi o telefone.
― Alô.
― Fala, Max.
― Quem está falando?
― Sou eu, porra!
― Eu quem?
― O Nestor, cacete!
― Ah. E aí, tudo certo?
― Comigo tudo bem. E contigo?
― Já estive melhor.
― Pelo jeito você extrapolou ontem.
― É, cara, ontem eu peguei pesado.
― Ah. Grande novidade. Você sempre pega pesado.
― É, mas ontem foi além da conta.
― Aprontou alguma?
― Cara, eu fui naquele show idiota com a Karen.
― A banda era ruim?
― Uma merda! Quando os caras acabaram de tocar, um DJ começou a rolar uns sons. Estava tocando The Specials. A última coisa que eu me lembro é que eu estava em cima do balcão dançando feito um idiota.
― E aí?
― Como eu disse, não me lembro o que aconteceu depois. Só sei que acordei com uma dor de cabeça violentíssima.
― E a Karen?
― Não sei. Ainda não falei com ela hoje.
― Vai sair?
― Se eu sobreviver, pode até ser.
― Bom, me liga depois.
― OK. Até mais.
Desliguei. Liguei para a Karen.
― Alô.
― Oi, Karen.
― O que você quer?
― Pelo jeito eu aprontei alguma ontem, não é?
― E vai me dizer que você não se lembra?
― Após a minha performance frenética em cima do balcão, confesso que não me lembro de mais nada.
― Olha, eu não sei se isso é desculpa sua, mas, de qualquer forma, estou de saco cheio das suas palhaçadas.
― Eu também, mas gostaria de saber pelo menos o que fiz.
― Me diga, por que você bebe tanto?
― Juro que essa foi a primeira coisa na qual pensei quando acordei.
― Meu caro, qual é o seu problema? Você se acha o dono do mundo? Acha que pode fazer o que bem entender?
― É a bebida.
― O que é que tem a bebida?
― Você perguntou qual era o meu problema.
― Então por que você não pára de beber? Ou por que, pelo menos, não diminui a dose?
― Porque isso é impossível. Seria o mesmo que lhe pedir para você parar de ler Paulo Coelho e ouvir emocore.
― Mas isso não me prejudica em nada.
― Você é que pensa.
― Escuta aqui, eu não tenho que ouvir desaforos de um bêbado inconseqüente como você. Ainda mais depois de tudo que você aprontou.
― Então ao menos me deixe saber o que fiz de tão grave!
― E, além do mais, Paulo Coelho é bem melhor do que esse lixo ébrio que você adora ler e My Chemical Romance é infinitamente superior a essa barulheira punk idiota que você tanto ama.
― O Paulo Coelho já foi bastante ligado em substância ilícitas e os emos surgiram do bom e velho punk rock.
― Meu querido, nós não estamos aqui para discutir literatura e nem música.
― E nós não estamos fazendo isso. Estamos falando de Paulo Coelho e emocore.
― Você é nojento às vezes, sabia?
― Isso porque você não me viu hoje de manhã.
― Ainda bem. Nunca mais quero vê-lo, muito menos pela manhã, pois isso significaria que passamos a noite juntos.
― Não necessariamente. Você poderia vir à minha casa logo após eu ter acabado de acordar.
― Eu trabalho de manhã, ao contrário de você. Há anos você não acorda cedo, portanto seria muito difícil vê-lo pela manhã, a não ser que tivéssemos dormido juntos.
― Você sabe muito bem que eu prefiro trabalhar durante a madrugada.
― Até quando você vai chamar essa banda e essas coisas que você escreve de trabalho?
― Eu detesto isso. É só nós dois termos uma discussãozinha à toa que você começa a desmerecer as minhas poesias e a minha música.
― Em primeiro lugar, nós não estamos tendo um simples discussãozinha à toa. Em segundo lugar, eu não chamaria aquele monte de palavrões que você escreve de poesia, tampouco chamaria aquela cacofonia desenfreada de música.
― Karen, como você é cruel!
― E como você é iludido!
― Pelo menos eu sou feliz. Não tenho que ficar agüentando desaforos de um boçal engravatado e ficar confinado dentro de um cubículo cheio de pessoas estúpidas.
― Não fale assim dos meus amigos, seu cretino. Além do mais, esse boçal a quem você se refere paga o meu salário todos os meses sem falta. E paga bem! Eu não devo agüentar desaforos de você, isso sim. E acho que nem preciso dizer que meus amigos têm muito mais os pés no chão do que você e todos os seus amigos bêbados e vagabundos juntos.
― Só porque nós bebemos mais tequila e cerveja em um dia do que vocês conseguiriam suportar em um mês?
― Como se isso fosse algo merecedor de méritos.
― Ah, eu prefiro isso a ficar gastando meu dinheiro com roupas caras e best sellers estúpidos.
― Olha, Charlie, você não tem jeito. Vá para o inferno.
Ela desligou o telefone. Na minha cara! E eu nem fiquei sabendo o que fiz. E o inferno não deve ser tão ruim, desde que tenha cerveja gelada. Bom, mas aí não seria o inferno, e, sim, o paraíso.
Peguei o telefone novamente.
― Nestor?
― Eu.
― E aí, onde vamos beber hoje?
Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 07:59:38 | Permalink | No Comments »