Wednesday, May 28, 2008

A simbologia divina

Poucos sabem o real significado da Páscoa, que celebra a ressurreição DELE (optamos por grafar as palavras relacionadas a DEUS com todas as letras maiúsculas, ao invés apenas da primeira, em sinal de respeito e demonstração de amor pleno e incondicional), data religiosa simbolizada pela figura do fofinho roedor coelho.

Há uma mensagem subliminar na própria figura do coelho, pois ELÃO (pronome no aumentativo para melhor caracterizar a grandiosidade de DEUS) disse: “Crescei e multiplicai-vos”. O coelho é um animal que se reproduz rapidamente, por isso ele é utilizado como símbolo da Páscoa, que celebra a renovação. Portanto devemos nos renovar fazendo muito sexo. Só que, como somos espertos, graças à inteligência que ELÃO nos deus, criamos a camisinha e outros métodos contraceptivos para que possamos praticar a procriação sem que procriemos de verdade. Assim podemos obter prazer sem superpovoar o planeta — apesar que isso não tem dado lá muito certo, mas poderia ser pior. Vejam aí o brilhantismo da inteligência humana, que se adapta às suas necessidades. Evolução?! Talvez… Reflitamos a respeito — e aumentar as despesas familiares com fraldas, enxoval de bebê, educação, roupas, alimentação, dinheiro pro rolê, etc. E é por isso que são dados ovos de chocolate na páscoa, já que o chocolate simboliza o sexo, pois todos sabemos — ou deveríamos saber, já que o mundo todo, ou quase, aprecia tal guloseima (ver anexo) – que as reações químicas provocadas no nosso organismo ao comermos chocolate são semelhantes às que sentimos quando fornicamos. E o ovo simboliza tanto os testículos, por causa do seu formato, quanto a maternidade, já que abrimos o ovo e de lá vem uma surpresa.

Até hoje as pessoas estão confusas pensando no porquê do coelho, que não é um animal ovíparo, carregar uma cesta cheia de ovos, e de chocolate, ainda por cima. Tal questionamento é inevitável: “Putaquelamerda! Mas coelhos não botam ovos! Muito menos de chocolate!” Tolos! ELÃO os enviará para o inferno por tamanha ignorância! Aliás, por que o inferno é quente? Para que não seja possível comer ovos de chocolate, pois eles derretem e perdem a forma de ovo. E, para piorar, torna-se impossível comer o chocolate, que derrete facilmente, simbolizando uma impossibilidade de fazer sexo, grande prazer da vida humana. Portanto o sexo é impraticável no inferno e difundido no céu (lembre-se do preceito citado no 2.º parágrafo).

ELÃO não dá ponto sem nó!

Anexo:

Chocolate em outras línguas

  • Inglês: Chocolate
  • Espanhol: Chocolate
  • Francês: Chocolat
  • Alemão: Schokolade
  • Italiano: Cioccolato
  • Holandês: Chocolade
  • Chinês: 巧克力
  • Japonês: チョコレート
  • Coreano: 초콜렛
  • Grego: Σοκολάτα
  • Russo: Шоколад
  • Afrikaans: Sjokolade
Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 20:29:32 | Permalink | Comments (2)

Monday, May 26, 2008

Dragão-de-komodo

8 horas da manhã de uma quinta-feira. Toca o maldito telefone! Que merda eu tinha na cabeça quando comprei essa joça?! É da agência de empregos, me convocando para uma entrevista dentro de uma hora. Ando absolutamente sem grana, por isso preciso ir para esse martirizante processo de seleção empregatícia mesmo que minha cabeça esteja quase me incapacitando a arrastar minha bunda até o banheiro para escovar os dentes, já que a noite de ontem foi pesada. É, extrapolei um pouquinho os limites. Saímos para tomar algumas cervejas, mas o “algumas” se transformou em um monstro alucinado, que se metamorfoseou em uma ressaca incontrolável e nada estimulante. O pior é que nem tenho mais a coragem de dizer que nunca mais irei beber, pois sei que isso seria uma mentira daquelas bem sem-vergonha.

Dentes escovados, micro banho tomado, roupa trocada. Aliás, escovar os dentes nessas horas é absolutamente essencial e vital, pois o gosto que fica na boca é tão pútrido e amargo que chego a me sentir um dragão-de-komodo; acho que se eu mordesse minha própria língua morreria por infecção generalizada. Vou à tal agência para ver no que dá. Tenho que ir a pé, pois meu senso de responsabilidade ímpar fez com que eu gastasse todo o dinheiro com bebidas ontem, portanto não tenho um tostão para pegar um ônibus. Meu corpo implora ensandecidamente para que eu retorne à cama, mas esse mesmo corpo pouco provido de qualidades também irá implorar por alimentos dentro em breve, e minha despensa não anda por empolgar olhares famintos. A geladeira, então, parece uma região dos confins da Sibéria, com gelo por todos os lados e nada mais. Apenas alguns vegetais em estágio avançado de putrefação, um tubo de ketchup quase vazio, uma garrafa d’água completamente vazia – para o desespero da minha ressaca devastadora – e uma caixa oitavada com uns pedaços de pizza que eu nem tive coragem de abrir para ver como estavam. O cheiro nauseabundo empesteou a casa. Era o momento propício para sair correndo em jejum.

Após uma caminhada de meia hora, que normalmente eu faria em uns 15 ou 20 minutos se não estivesse tão deteriorado, chego à agência de empregos. Minha cabeça dói, meus olhos doem, meu estômago dói, estou zonzo e minha boca está seca, fora o bafo monstruoso de álcool e tabaco. Entro tentando me manter aprumado com a camisa amassada que não tive tempo de passar. Levo a mão à boca para tentar disfarçar o bafo asqueroso e pergunto à atendente onde tem água. Bebo diversos copos e, então, vou ao que interessa. Preencho algumas fichas abarrotadas de perguntas imbecis e mal consigo me concentrar. Pego meus documentos para colar as respostas, pois meu judiado cérebro está incapacitado de lembrar de tantos números. Preencho tudo com a maior má vontade do universo e entrego a ficha à moça. Ele é lindinha e meiga, mas não consigo esboçar qualquer reação de simpatia. Sou encaminhado à outra sala para uma entrevista. Entro sozinho, já que estou atrasado. Um sujeitinho pedante e enfadonho me faz algumas perguntas e parece perceber que não estou nos meus melhores dias. Ele diz que estou dispensado e que serei comunicado caso eu seja convocado para a próxima etapa, coisa que obviamente não irá acontecer, pois minha entrevista foi um fracasso constrangedor. O pouco que resta do meu organismo urge pela minha cama.

À tarde, ao acordar, a ressaca está menos intensa, mas a fome está avassaladora. Vou à padaria e peço para o seu Toninho marcar quatro pães, duzentos gramas de mortadela e uma tubaína. O restinho do ketchup foi suficiente para apenas um dos pães. Não é um manjar dos deuses, mas ao menos consegui comer sem vomitar. Ligo a tevê. Só tem merda! O que fazer numa sexta-feira à tarde sem nenhum centavo na carteira e com uma puta ressaca? O óbvio: dormir.

Acordo no breu da noite, que se iniciara há pouco mais de uma hora. Ligo a luz e penso: “Puta merda, como vou fazer pra pagar a conta de luz?”. Deixo pra pensar nisso depois. A dor de cabeça ainda permanece, apesar de já não ser tão intensa. Mas a sede é grande. Tomo água da pia do banheiro enquanto lavo o rosto numa tentativa vã de me recompor. Mais um pão com mortadela, o último que sobrou. Nesse instante ocorre uma revolução em meu estômago. Corro para o banheiro e quase viro do avesso. Suando frio, fico por cerca de uma hora sentado no trono, não como um rei, mas como um demônio horroroso em meio ao fedor e à imundície. Outro banho se faz absolutamente necessário. O telefone toca, saio correndo todo molhado pra atender. Luciano me chamando pra tomar umas cervejas, “Afinal, hoje é sexta-feira!”, ele argumenta. Alego não ter dinheiro, mas isso não o convence. Seu poder de persuasão é elevado e logo estamos no boteco. Dúzias de cervejas, garotas, conversas acaloradas, porções de amendoim e milhares de cigarros. Outro boteco. A mesma história: cervejas, garotas, conversas, amendoins, cigarros…

8 horas da manhã. A campainha toca. Meu cérebro está derretendo e mal consigo abrir os olhos. É a dona Zuleica cobrando o aluguel atrasado. Será que se eu mordê-la no pescoço ela morre de infecção generalizada?

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 21:39:36 | Permalink | Comments (5)

Friday, May 23, 2008

Pelo expurgo da dor

A maldição de ter que viver a cada dia
Supera a dor da dúvida e do delírio.
A frivolidade é a carta magna do meu curso,
E Morfeu me acompanha no devaneio
Precedido pela ressaca apaziguadora.

Martírio desatinado e vagaroso
Que posterga o labor da velha soturna.
Ela se regozija com o meu desalento,
Enquanto o Sábio ri sarcasticamente
Da minha rota camisa-de-força.

Os Cisnes trazem de volta o desespero,
Seguindo seu curso em um lago de sangue.
Pálidos espectros dançam ao meu redor,
Rindo e bradando a maldita canção.
Os velhos amigos chacais estão de volta!

Cada segundo parece urgir por outubro,
Quando todas as dores serão levadas e
Expurgadas de almas carentes e vívidas.
Momentos de plenitude que instilam vida
E volvem o sorriso aos filhos de Dioniso.

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 18:19:43 | Permalink | No Comments »

Dor compartilhada com os amigos que desconheço

Alguém para conversar? Não! Simplesmente, NÃO!
Uma negação desesperadora que me causa a mais angustiante dor.
Senão este copo de bebida, o que seria de mim?
Pouco mais do que um trapo jogado em um canto…
Um rato perdido em um esgoto escuro e imundo…
Ou seja, pouco além daquilo do que sou.
Um pastel murcho na feira da manhã seguinte,
A vadia ébria da noite passada,
O vômito jogado na privada esquecido pela ressaca.

Quanta dor posso suportar?
O quanto devo refletir?
A que ponto posso me julgar?
Para qual caminho vou me levar?

Sou tão incerto quanto posso supor,
Porém tão correto quanto imagino ser.
Minha “alma” urge por uma razão
E meu desatino se torna a solução.
Mais um copo, e prometo encontrar a resposta.
Mas lembre-se: promessas são dívidas!
E dívidas nem sempre são pagas!
Pois é, meu amigo, você foi enganado!
Porém, há uma problema: eu também fui!

Quanta dor posso suportar?
O quanto devo refletir?
A que ponto posso me julgar?
Para qual caminho vou me levar?

Segure em minhas mãos e vamos caminhar.
Mas não lhe prometo momentos gloriosos.
Pois só posso lhe proporcionar,
Toda a infinita segurança que não possuo.
O meu império foi construído em bases fracas,
A areia era grossa demais, e as pedras, muito ralas…
Alguma coisa faltava. Porém, eu não sabia.
Meus vizinhos avisaram. Eu não ouvi.
Pobre de mim.

Quanta dor posso suportar?
O quanto devo refletir?
A que ponto posso me julgar?
Para qual caminho vou me levar?

Mais um verso que segue doloroso
Mais uma linha que surge como um martírio.
Até quando irei postergar a dor?
Palavras difíceis que, ingenuamente, tentam distorcer
Tudo aquilo que enxergo como sofrimento.
Os amigos que não conheci não diriam isso.
Mas eles bem saberiam o que dizer.
Afinal, eles são quem são.
E somente a eles é a quem eu dedico esses versos.

Por isso repito:

Quanta dor posso suportar?
O quanto devo refletir?
A que ponto posso me julgar?
Para qual caminho vou me levar?

Posted by Léo Passos (minuteman@bol.com.br) at 18:18:03 | Permalink | Comments (2)