Outro Porre
Acordei. Tossi. Muito! Meu cérebro se tornara uma geléia estragada. Minha cabeça doía. Fui ao banheiro. Meu corpo começou a se vingar de mim pelos exageros cometidos na noite passada. Expeli diversas substâncias e gases. Vomitei, peidei cuspi, mijei e fiz cocô. “Fazer cocô”. Sempre achei essa expressão horrível. “Cagar” é bem menos feio. Fui me lavar. A água que escorria pelo meu corpo parecia me livrar de todas as impurezas e excessos. O maldito telefone tocou. Saí nu e molhando a casa toda. Acendi um cigarro. Atendi o telefone.
― Alô.
― Fala, Max.
― Quem está falando?
― Sou eu, porra!
― Eu quem?
― O Nestor, cacete!
― Ah. E aí, tudo certo?
― Comigo tudo bem. E contigo?
― Já estive melhor.
― Pelo jeito você extrapolou ontem.
― É, cara, ontem eu peguei pesado.
― Ah. Grande novidade. Você sempre pega pesado.
― É, mas ontem foi além da conta.
― Aprontou alguma?
― Cara, eu fui naquele show idiota com a Karen.
― A banda era ruim?
― Uma merda! Quando os caras acabaram de tocar, um DJ começou a rolar uns sons. Estava tocando The Specials. A última coisa que eu me lembro é que eu estava em cima do balcão dançando feito um idiota.
― E aí?
― Como eu disse, não me lembro o que aconteceu depois. Só sei que acordei com uma dor de cabeça violentíssima.
― E a Karen?
― Não sei. Ainda não falei com ela hoje.
― Vai sair?
― Se eu sobreviver, pode até ser.
― Bom, me liga depois.
― OK. Até mais.
Desliguei. Liguei para a Karen.
― Alô.
― Oi, Karen.
― O que você quer?
― Pelo jeito eu aprontei alguma ontem, não é?
― E vai me dizer que você não se lembra?
― Após a minha performance frenética em cima do balcão, confesso que não me lembro de mais nada.
― Olha, eu não sei se isso é desculpa sua, mas, de qualquer forma, estou de saco cheio das suas palhaçadas.
― Eu também, mas gostaria de saber pelo menos o que fiz.
― Me diga, por que você bebe tanto?
― Juro que essa foi a primeira coisa na qual pensei quando acordei.
― Meu caro, qual é o seu problema? Você se acha o dono do mundo? Acha que pode fazer o que bem entender?
― É a bebida.
― O que é que tem a bebida?
― Você perguntou qual era o meu problema.
― Então por que você não pára de beber? Ou por que, pelo menos, não diminui a dose?
― Porque isso é impossível. Seria o mesmo que lhe pedir para você parar de ler Paulo Coelho e ouvir emocore.
― Mas isso não me prejudica em nada.
― Você é que pensa.
― Escuta aqui, eu não tenho que ouvir desaforos de um bêbado inconseqüente como você. Ainda mais depois de tudo que você aprontou.
― Então ao menos me deixe saber o que fiz de tão grave!
― E, além do mais, Paulo Coelho é bem melhor do que esse lixo ébrio que você adora ler e My Chemical Romance é infinitamente superior a essa barulheira punk idiota que você tanto ama.
― O Paulo Coelho já foi bastante ligado em substância ilícitas e os emos surgiram do bom e velho punk rock.
― Meu querido, nós não estamos aqui para discutir literatura e nem música.
― E nós não estamos fazendo isso. Estamos falando de Paulo Coelho e emocore.
― Você é nojento às vezes, sabia?
― Isso porque você não me viu hoje de manhã.
― Ainda bem. Nunca mais quero vê-lo, muito menos pela manhã, pois isso significaria que passamos a noite juntos.
― Não necessariamente. Você poderia vir à minha casa logo após eu ter acabado de acordar.
― Eu trabalho de manhã, ao contrário de você. Há anos você não acorda cedo, portanto seria muito difícil vê-lo pela manhã, a não ser que tivéssemos dormido juntos.
― Você sabe muito bem que eu prefiro trabalhar durante a madrugada.
― Até quando você vai chamar essa banda e essas coisas que você escreve de trabalho?
― Eu detesto isso. É só nós dois termos uma discussãozinha à toa que você começa a desmerecer as minhas poesias e a minha música.
― Em primeiro lugar, nós não estamos tendo um simples discussãozinha à toa. Em segundo lugar, eu não chamaria aquele monte de palavrões que você escreve de poesia, tampouco chamaria aquela cacofonia desenfreada de música.
― Karen, como você é cruel!
― E como você é iludido!
― Pelo menos eu sou feliz. Não tenho que ficar agüentando desaforos de um boçal engravatado e ficar confinado dentro de um cubículo cheio de pessoas estúpidas.
― Não fale assim dos meus amigos, seu cretino. Além do mais, esse boçal a quem você se refere paga o meu salário todos os meses sem falta. E paga bem! Eu não devo agüentar desaforos de você, isso sim. E acho que nem preciso dizer que meus amigos têm muito mais os pés no chão do que você e todos os seus amigos bêbados e vagabundos juntos.
― Só porque nós bebemos mais tequila e cerveja em um dia do que vocês conseguiriam suportar em um mês?
― Como se isso fosse algo merecedor de méritos.
― Ah, eu prefiro isso a ficar gastando meu dinheiro com roupas caras e best sellers estúpidos.
― Olha, Charlie, você não tem jeito. Vá para o inferno.
Ela desligou o telefone. Na minha cara! E eu nem fiquei sabendo o que fiz. E o inferno não deve ser tão ruim, desde que tenha cerveja gelada. Bom, mas aí não seria o inferno, e, sim, o paraíso.
Peguei o telefone novamente.
― Nestor?
― Eu.
― E aí, onde vamos beber hoje?
― Alô.
― Fala, Max.
― Quem está falando?
― Sou eu, porra!
― Eu quem?
― O Nestor, cacete!
― Ah. E aí, tudo certo?
― Comigo tudo bem. E contigo?
― Já estive melhor.
― Pelo jeito você extrapolou ontem.
― É, cara, ontem eu peguei pesado.
― Ah. Grande novidade. Você sempre pega pesado.
― É, mas ontem foi além da conta.
― Aprontou alguma?
― Cara, eu fui naquele show idiota com a Karen.
― A banda era ruim?
― Uma merda! Quando os caras acabaram de tocar, um DJ começou a rolar uns sons. Estava tocando The Specials. A última coisa que eu me lembro é que eu estava em cima do balcão dançando feito um idiota.― E aí?
― Como eu disse, não me lembro o que aconteceu depois. Só sei que acordei com uma dor de cabeça violentíssima.
― E a Karen?
― Não sei. Ainda não falei com ela hoje.
― Vai sair?
― Se eu sobreviver, pode até ser.
― Bom, me liga depois.
― OK. Até mais.
Desliguei. Liguei para a Karen.
― Alô.
― Oi, Karen.
― O que você quer?
― Pelo jeito eu aprontei alguma ontem, não é?
― E vai me dizer que você não se lembra?
― Após a minha performance frenética em cima do balcão, confesso que não me lembro de mais nada.
― Olha, eu não sei se isso é desculpa sua, mas, de qualquer forma, estou de saco cheio das suas palhaçadas.
― Eu também, mas gostaria de saber pelo menos o que fiz.
― Me diga, por que você bebe tanto?
― Juro que essa foi a primeira coisa na qual pensei quando acordei.
― Meu caro, qual é o seu problema? Você se acha o dono do mundo? Acha que pode fazer o que bem entender?
― É a bebida.
― O que é que tem a bebida?
― Você perguntou qual era o meu problema.
― Então por que você não pára de beber? Ou por que, pelo menos, não diminui a dose?
― Porque isso é impossível. Seria o mesmo que lhe pedir para você parar de ler Paulo Coelho e ouvir emocore.
― Mas isso não me prejudica em nada.
― Você é que pensa.
― Escuta aqui, eu não tenho que ouvir desaforos de um bêbado inconseqüente como você. Ainda mais depois de tudo que você aprontou.
― Então ao menos me deixe saber o que fiz de tão grave!
― E, além do mais, Paulo Coelho é bem melhor do que esse lixo ébrio que você adora ler e My Chemical Romance é infinitamente superior a essa barulheira punk idiota que você tanto ama.― O Paulo Coelho já foi bastante ligado em substância ilícitas e os emos surgiram do bom e velho punk rock.
― Meu querido, nós não estamos aqui para discutir literatura e nem música.
― E nós não estamos fazendo isso. Estamos falando de Paulo Coelho e emocore.
― Você é nojento às vezes, sabia?
― Isso porque você não me viu hoje de manhã.
― Ainda bem. Nunca mais quero vê-lo, muito menos pela manhã, pois isso significaria que passamos a noite juntos.
― Não necessariamente. Você poderia vir à minha casa logo após eu ter acabado de acordar.
― Eu trabalho de manhã, ao contrário de você. Há anos você não acorda cedo, portanto seria muito difícil vê-lo pela manhã, a não ser que tivéssemos dormido juntos.
― Você sabe muito bem que eu prefiro trabalhar durante a madrugada.
― Até quando você vai chamar essa banda e essas coisas que você escreve de trabalho?
― Eu detesto isso. É só nós dois termos uma discussãozinha à toa que você começa a desmerecer as minhas poesias e a minha música.
― Em primeiro lugar, nós não estamos tendo um simples discussãozinha à toa. Em segundo lugar, eu não chamaria aquele monte de palavrões que você escreve de poesia, tampouco chamaria aquela cacofonia desenfreada de música.
― Karen, como você é cruel!
― E como você é iludido!
― Pelo menos eu sou feliz. Não tenho que ficar agüentando desaforos de um boçal engravatado e ficar confinado dentro de um cubículo cheio de pessoas estúpidas.
― Não fale assim dos meus amigos, seu cretino. Além do mais, esse boçal a quem você se refere paga o meu salário todos os meses sem falta. E paga bem! Eu não devo agüentar desaforos de você, isso sim. E acho que nem preciso dizer que meus amigos têm muito mais os pés no chão do que você e todos os seus amigos bêbados e vagabundos juntos.
― Só porque nós bebemos mais tequila e cerveja em um dia do que vocês conseguiriam suportar em um mês?
― Como se isso fosse algo merecedor de méritos.
― Ah, eu prefiro isso a ficar gastando meu dinheiro com roupas caras e best sellers estúpidos.
― Olha, Charlie, você não tem jeito. Vá para o inferno.
Ela desligou o telefone. Na minha cara! E eu nem fiquei sabendo o que fiz. E o inferno não deve ser tão ruim, desde que tenha cerveja gelada. Bom, mas aí não seria o inferno, e, sim, o paraíso.
Peguei o telefone novamente.
― Nestor?
― Eu.
― E aí, onde vamos beber hoje?